quarta-feira, 2 de junho de 2010

Centenário do Teatro José de Alencar agora é oficial


``Não existe arte sacra ou profana. Toda arte é sacra``. As aspas do ator cearense Ricardo Guilherme calham bem com o a celebração que ocupou o pátio de Theatro José de Alencar na manhã de ontem. Uma benção ecumênica foi oferecida à única casa de espetáculos centenária da Capital como abertura do mês em que se comemoram seus 100 anos.

A partir de ontem, as portas do TJA estão abertas todos os dias com eventos artísticos cearenses, brasileiros e internacionais gratuitos. ``O Theatro precisa ser o lugar onde qualquer pessoa, independente de credo e de classe social, deve se sentir bem acolhida. Aqui é um lugar de passeio, de encontro``, destaca a diretora do Centro Cultural, Izabel Gurgel. A medida é esperada da atual gestão do Theatro, conhecida por bem receber o público amador das artes através de variada programação gratuita.

Na manhã de ontem, o hall de entrada foi ocupado por funcionários da velha guarda da casa, representantes das religiões convidadas, além de curiosos. A estudante Cássia Vasconcelos vinha ao TJA se informar a respeito do Curso de Princípios Básicos de Teatro quando foi surpreendida pela prece de Mãe Décia de Iemanjá. Deixou-se ficar de mãos dadas com os presentes até o fim da solenidade e só então se encaminhou ao Cena, anexo da casa onde acontecem os cursos.

``Não tenho uma relação muito íntima com esse espaço, mas quero começar agora. Nem sabia que estava acontecendo isso``, esclareceu ela. ``É bem diferente do meu tempo, e acho importante que seja assim. O livre acesso das pessoas ao Theatro desmistifica a arte e forma mais artistas``, destaca o condecorado bailarino Hugo Bianchi, sempre presente nos jardins, porões e palcos do lugar.

Velha Guarda
Como Hugo, os rostos conhecidos do Theatro não perdem o zelo nem o respeito que resguardam o TJA ao longo de tantos anos. Sempre a postos nos mais variados eventos, Mauro Coutinho, José Brasil, Palhaço Trepinha, Ana Maria, Cilena Flanklin... são as caras do amor à casa de espetáculos mais portentosa e antiga de Fortaleza.

``Não me aposento porque não quero morrer. Passo mais tempo aqui do que em casa e me sinto muito responsável em cuidar daqui``, desabafa Coutinho, chamado carinhosamente de ``meu véi`` pela diretora Izabel, e figura querida dos frequentadores assíduos do Theatro.


fonte: opovo.com.br

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